Reintegra: restituição de tributos para exportadores
Reintegra é restituição de resíduos tributários nas exportações. Saiba quem tem direito e como requerer.
20 de fevereiro de 2026
Reintegra (Lei 12.865/2013) é um mecanismo que devolve até 3% do faturamento exportado em forma de crédito fiscal.
Diferentemente do Drawback (que suspende), Reintegra devolve o tributo já pago. É ideal para quem exporta mas não consegue documentar custos reais de insumo.
O que é Reintegra?
Lei 12.865/2013 Art. 1° criou Reintegra como forma de compensação de tributos não recuperáveis nas exportações.
Conceito: você não consegue creditar PIS/COFINS de 100% dos seus insumos. Reintegra compensa esse resíduo tributário com percentual fixo até 3% da receita de exportação.
Exemplo real:
- Indústria de roupas em São Paulo
- Receita exportação (2025): R$ 1.000.000
- Reintegra 1,5% (confecção): R$ 15.000
Esse valor você credita em DCOMP e recupera em dinheiro (ou compensa em impostos federais).
Histórico
Reintegra foi criada em 2013 como parte de pacote de incentivos a exportadores pós-crise financeira.
Prazos:
- Lei 12.865/2013: criação
- Lei 13.239/2016: alargamento de setores
- Lei 14.754/2023: revalidação até 31/12/2026
Atenção: A lei foi descontinuada em 31/12/2023, mas foi revalidada até 31/12/2026 (Lei 14.754/2023 Art. 11). Confirme vigência se estiver em 2027+.
Quem tem direito?
Você tem direito se:
- Exporta produtos da indústria ou agro
- Receita exportação ≥ R$ 100 mil/ano (mínimo)
- Registrou exportação em RVG, AFE ou NFe
Setores elegíveis e percentuais
Reintegra varia por CNAE e tipo de produto. Principais:
| Setor | Percentual | Observação |
|---|---|---|
| Indústria têxtil e confecção | 1,0% a 1,5% | Roupas, tecidos |
| Calçados e bolsas | 1,0% a 1,5% | Couro, sintético |
| Agroindustrialização | 2,0% | Sucos, pós |
| Máquinas e equipamentos | 1,0% a 2,5% | Metalurgia |
| Eletrônicos e óptica | 0,5% a 1,0% | Alto valor agregado |
| Madeira e móvel | 1,5% a 2,0% | Processado |
| Cerâmica e vidro | 1,0% | Acabado |
| Indústria química | 0,5% a 1,0% | Plásticos |
Agrário:
- Café beneficiado: 0,5%
- Açúcar e álcool: 2,0%
- Cacau: 1,0%
Percentual é regulado por Decreto (DecEx). Consulte sempre o Decreto vigente pois muda anualmente.
Decreto muda anualmente
Reintegra percentuais são regulados por DecEx (Decreto de Exportação) anual. 2026 pode ter percentuais diferentes de 2025. Sempre confira DecEx do ano em questão antes de calcular.
Como calcular
Fórmula:
Reintegra = Valor FOB Exportação × Percentual × Meses elegíveis / 12
Exemplo:
- Confecção têxtil
- Receita FOB jan-jun 2025: R$ 600.000
- Percentual 1,5% (confecção)
- Reintegra: R$ 600.000 × 0,015 × (6/12) = R$ 4.500
Importante:
- FOB = puro valor mercadoria (sem frete/seguro/embalagem)
- Reintegra é calculada por período mensal
- Meses sem exportação = zero Reintegra naquele mês
Procedimento passo a passo
1. Validar elegibilidade
- Seu CNAE está na lista Reintegra?
- Você exporta ≥ R$ 100k/ano?
- Tem comprovação de exportação (RVG, AFE, NFe)?
Se sim em todos, siga para o próximo.
2. Organizar dados
Reúna para últimos 5 anos (Lei 14.754 vigência):
- NFe de exportação (CFOP 6.933+)
- Recibos de exportação (câmaras, portos, aeroportos)
- Faturas (invoices) com valor FOB
- Demonstrativo mensal receita bruta exportação
3. Calcular Reintegra
Multiplique cada mês: FOB × percentual. Mantenha planilha mensal.
Dica: organize por ano + mês. Fica muito mais fácil justificar pra Receita Federal.
4. Protocolar DCOMP
Acesse e-CAC → DCOMP → Novo Pedido:
- Tipo de crédito: Reintegra (Lei 12.865/2013)
- Período: mês/ano
- Valor: resultado do cálculo
- Anexos: RVG + invoices + comprovante FOB
5. Acompanhar
Homologação automática em 60-90 dias.
Devolução em dinheiro: 30-45 dias após aprovação.
Cenários aplicados: Reintegra passo-a-passo
Caso 1: Confecção têxtil (pequena exportadora)
Dados:
- Receita FOB exportação 2025: R$ 800.000
- Setor: confecção roupas
- Reintegra 2025: 1,5% (conforme DecEx 2025)
- Elegibilidade: sim (receita > R$ 100k mínimo)
Cálculo Reintegra:
- Reintegra = R$ 800.000 × 1,5% = R$ 12.000
- Compensação: DCOMP janeiro 2026
Documentação necessária:
- NFe exportação 2025 (CFOP 6.933/6.934)
- Recibos de embarque (portuária/aérea)
- Invoice comercial (FOB confirmado)
Resultado: Crédito fiscal R$ 12.000 recebido em dinheiro ou compensado em PIS/COFINS.
Caso 2: Agroindústria (processamento frutas)
Dados:
- Receita FOB exportação anual: R$ 3 milhões
- Produtos: sucos, polpas processadas
- Setor agroindustrial
- Reintegra DecEx: 2,0% (agroindustrialização)
Cálculo:
- Reintegra = R$ 3.000.000 × 2,0% = R$ 60.000
Diferença Reintegra vs Drawback:
- Drawback (custo real insumo 30%): R$ 3MM × 30% × 18% ICMS = R$ 162.000
- Reintegra (percentual fixo 2%): R$ 60.000
- Total trio (Reintegra + Drawback + Presumido se 80%): R$ 235.000+
Caso 3: Máquinas industriais (metalurgia)
Dados:
- Faturamento exportação anual: R$ 10 milhões
- Exportação: 85% elegível (> 80%)
- Setor: máquinas e equipamentos
- Reintegra: 1,5% máquinas (Dec Ex 2025)
- IPI presumido: 5,37% (elegível por 85% >80%)
Cálculo Reintegra:
- Reintegra = R$ 10MM × 85% × 1,5% = R$ 127.500
Cálculo Crédito Presumido IPI:
- Presumido = R$ 8.5MM × 5,37% = R$ 456.450
Total Reintegra + Presumido: R$ 583.950 (5.8% do faturamento recuperado sem incluir Drawback)
Erros frequentes em Reintegra
Erro 1: Confundir DecEx (muda anualmente) com percentual eterno
Cenário errado:
- 2024: Reintegra 1,5% confecção
- Usa 1,5% em 2025 também
- RFB rejeita: 2025 foi 1,75% (DecEx atualizado)
- Crédito negado
Como evitar:
- Anualmente (janeiro): consultar DecEx novo do MDIC (site mdic.gov.br)
- Manter planilha: ano → percentual aplicado
- DecEx muda jan/2026, jan/2027, etc.
Erro 2: Incluir exportação com faturamento < R$ 100 mil/ano
Cenário:
- Faturamento exportação: R$ 80.000 (abaixo do mínimo)
- Pede Reintegra
- RFB rejeita por inelegibilidade (gate R$ 100k mínimo)
Como evitar:
- Validar: receita exportação ≥ R$ 100.000/ano
- Se está abaixo, não pedir Reintegra (perda de tempo)
Erro 3: Calcular sobre faturamento total (não FOB)
Cenário errado:
- Faturamento total com frete/seguro: R$ 1.200.000
- Calcula Reintegra: R$ 1.2MM × 2% = R$ 24.000
- RFB valida: FOB é R$ 1.000.000 (sem frete)
- Crédito correto: R$ 1MM × 2% = R$ 20.000
- Sobrecobrou R$ 4.000 (multa + juros)
Como evitar:
- FOB = preço mercadoria pura (sem frete, seguro, embalagem adicional)
- Invoice comercial deve discriminar FOB (é obrigatório em exportação)
- Usar FOB da invoice, não total faturado
Erro 4: Misturar 5 anos de Reintegra numa única DCOMP
Cenário:
- Nunca pediu Reintegra (2020-2024)
- 2026: tenta pedir 5 anos de uma vez
- RFB nega: DCOMP é por período mensal/trimestral (não anual agregado)
- Perde tempo e crédito
Como evitar:
- 1 DCOMP = 1 período de apuração (mês ou trimestre)
- 5 anos = 60 DCOMPs potenciais (se mensal)
- Organizar: 2020-01, 2020-02, ..., 2025-12
- Ou trimestral: 2020-Q1, 2020-Q2, ..., 2025-Q4 (20 DCOMPs)
- Contador faz plantilha mensal/trimestral, depois protocola em lote
Erro 5: Deixar expirar Lei 14.754 (Reintegra termina 31/12/2026)
Cenário:
- Você é elegível desde 2021
- Nunca pediu
- 31/12/2026 é deadline FINAL
- 2027: Reintegra encerrada, perdida integralmente (5 anos de R$ 200k+)
Como evitar:
- AGORA (2026): pedir Reintegra de 2021-2025
- Prazo final 31/12/2026 — NÃO há prorrogação
- Se fizer tudo em dezembro, RFB dá 60 dias até homologação = fevereiro 2027, mas DCOMP precisa estar protocolado até 31/12/2026
Timeline: Reintegra com urgência 2026
Levantamento & Organização
Reunir todas as NFe exportação 2021-2025. Calcular FOB por período. Validar CNAE no DecEx.
Cálculo & Validação
Montar planilha 60 períodos (ou 20 trimestres). Aplicar percentual DecEx cada ano. Revisar com contador.
Protocolar DCOMP em lote
E-CAC: N DCOMPs (60 ou 20, conforme agrupamento). Anexar RVG + invoice cada período. Enviar tudo até agosto.
Análise RFB (60 dias)
RFB processa. Pode pedir complementação. Homologação automática se não contestarem até dia 60.
Aprovação final (antes 31/12)
RFB aprova antes de Lei 14.754 expirar. Crédito gerado em DCTF-Web (jan/2027 já pode compensar).
Compensação/Devolução
Compensar crédito em PIS/COFINS/IRPJ/CSLL. Ou requerer devolução em dinheiro (30-45 dias).
Reintegra vs. Drawback vs. Crédito Presumido
Três mecanismos. Qual usar e em que ordem?
| Mecanismo | Cobertura | Documentação | Timing | Percentual |
|---|---|---|---|---|
| Reintegra | Até 3% FOB | NFe + RVG | Retroativo 5 anos | 0,5-3,0% (DecEx) |
| Drawback | 100% custos | Comprovação insumo | Prospectivo (antes exportar) | Custo real |
| Crédito Presumido | IPI 5,37% | 80% exportação | Retroativo 5 anos | 5,37% fixo |
Usar conjuntamente é LEGAL — não é fraude, é articulação:
- Drawback: suspende II, ICMS, IPI na entrada (prospectivo)
- Reintegra: credita PIS/COFINS na saída (retroativo)
- Presumido: crédito IPI adicional se ≥ 80% exportação (retroativo)
Uma exportação de R$ 1 milhão pode gerar:
- Drawback: R$ 100-150k (custo real)
- Reintegra: R$ 15-30k (2-3% FOB)
- Presumido: R$ 50-70k (IPI 5,37%)
- Total recuperado: R$ 165-250k (16-25% do faturamento)
URGÊNCIA: Reintegra vence 31/12/2026
Lei 14.754/2023 Art. 11 encerra Reintegra em 31/12/2026. Sem prorrogação. Se você exporta desde 2021 e nunca pediu, tem 5 anos de crédito acumulado (5 × 2% para agroindustrialização = 10% faturamento). Pedir AGORA antes de perder integralmente.
Consultores especializados em exportação articulam sempre os 3 mecanismos. Não deixe crédito na mesa.
Reintegra agrário
Agronegócio tem percentuais maiores.
Produtos elegíveis:
- Café beneficiado: 0,5%
- Sucos e polpas: 2,0%
- Açúcar: 2,0%
- Álcool: 2,0%
- Cacau beneficiado: 1,0%
- Frutas secas/processadas: 1,5%
Agrário é menos documentado — muitos exportadores não sabem que têm direito.
Prazo
Limite: 5 anos contados para trás.
Em 2026, você recupera de 2021 em diante.
Mas Reintegra expira em 31/12/2026 (Lei 14.754/2023 Art. 11). Pedir agora — depois pode ser tarde.
Documentação obrigatória
- NFe de exportação (CFOP 6.933, 6.934, 6.949)
- Recibo de Exportação (porto, aeroporto ou câmara)
- Invoice (fatura comercial com valor FOB)
- Demonstrativo mensal de receita
- Declaração de elegibilidade (seu CNAE está na lista Reintegra)
FAQ
Dúvidas frequentes
P: Posso usar Reintegra + Drawback juntos? Sim. São complementares. Drawback na entrada, Reintegra na saída.
P: Se eu não tenho custo comprovado de insumo, ainda tenho direito? Sim, isso é justamente o ponto. Reintegra é percentual fixo — não depende de custo. Ideal pra quem não documenta insumo.
P: Quanto tempo a Receita leva? Homologação: 60-90 dias. Devolução: 30-45 dias após aprovação.
P: Reintegra acaba em 31/12/2026. Posso pedir depois? Não. Lei 14.754/2023 Art. 11 encerra Reintegra em 31/12/2026. Se não pedir até lá, perde (integralmente — não há prorrogação de prazo).
P: Qual é a diferença entre Reintegra e Drawback? Drawback: suspende tributo na entrada (você documenta insumo). Reintegra: devolve percentual fixo na saída (sem documentação de insumo). Drawback é maior; Reintegra é mais rápido.
P: Preciso comprovar custo de insumo? Não. Reintegra é percentual fixo — exatamente para quem não consegue documentar custo.
Próximos passos
- Valide seu CNAE — está na lista Reintegra?
- Organize NFe exportação — últimos 5 anos
- Levante receita FOB — por mês
- Calcule o crédito — FOB × percentual Decreto ano
- Protocole DCOMP — e-CAC até 31/12/2026
Urgência: Reintegra vence 31/12/2026. Pedir agora evita perda total de direito.
Auditoria fiscal Neurawlink — calculamos Reintegra + Drawback + Presumido em 30 minutos.
Fontes:
- Lei 12.865/2013 — Reintegra
- Lei 14.754/2023 — Revalidação
- DecEx anual — Percentuais Reintegra
- RFB DCOMP
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